Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito.
William Shakespeare (*1564+1616)
Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito.
Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.
Tu que nascestes dos deuses, dos Godos ou da lama... Assim, vós mesmos, imagens dos deuses, nada mais sois que poeira.
Mais um curto instante, mais um descanso rápido sobre o vento, e outra mulher me conceberá. Foi somente ontem que nos encontramos num sonho.
E depois vinham os guardas do rei, a cavalo, à frente da tropa, armada de lanças, espadas e punhais, como se fossem para a guerra, passavam e não acabavam de passar, tal uma serpente de que não vemos nem a cabeça nem o rabo e que ao mover-se é como se não tivesse fim, entra-nos no coração o medo, assim eram aquelas tropas marchando atrás de um morto, mas também em direcção à sua própria morte, aquela de cada um, que mesmo quando parece demorar-se sempre acaba por bater-nos à porta, São horas, diz ela, pontual, sem diferença, tanto faz com reis ou com escravos, um que ia lá adiante, carne morta e corrupta, na cabeça do cortejo, outros no couce da procissão, comendo o pó de um exército inteiro, por enquanto vivos, mas já à procura, todos eles, do lugar onde ficarão para sempre.
Visita interiorem terrae rectificando
invenies occultum lapidem.
Embora o sábio entenda que a treva é bem-vinda
Quando a palavra já perdeu toda a magia
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.
Nós ossos que aqui estamos
pelos vossos esperamos.
How happy is the blameless vestal’s lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray’r accepted, and each wish resign’d
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
Quero, arrancado das prisões carnais,
Viver na luz dos astros imortais
It is such a mysterious place, the land of tears.
Nihil enim intulimus in mundum, quia nec auferre quid possumus.
And blended lie the oppressor and the oppressed.